Data Centers no Brasil: danos, dependência e integração subordinada

  • Autor
  • Vinícius Sousa de Oliveira
  • Co-autores
  • Rodrigo Moreno Marques
  • Resumo
  • O objetivo geral da pesquisa é caracterizar a exploração de recursos naturais no setor brasileiro de data centers e o papel dos órgãos governamentais brasileiros nesse contexto. Os objetivos específicos são: i) analisar os impactos socioambientais (energia, água, território) dessas operações; e ii) caracterizar o papel do Estado brasileiro e de outros governos regionais no fomento desses investimentos. A metodologia adota: (i) revisão de literatura sobre os impactos socioambientais desse tipo de atividade;  (ii) análise documental de relatórios corporativos, leis de incentivo e contratos governamentais brasileiros.

    O cenário estadunidense, onde já existem mais de 5.000 data centers, evidencia: 1) os impactos ambientais desse segmento: estresse hídrico, emissão de poluentes e distúrbios sonoros (McGovern, Brandfor, 2024; Han et al. 2025; Monserrate, 2022; Sarte et al, 2024; LeRoy, Tarczynska, 2025; Tarczynska, 2025); 2) a necessidade da atuação estatal para viabilizar esses empreendimentos (LeRoy, Tarczynska, 2025; Tarczynska, 2025); e 3) os atritos entre capital e comunidades. Em 2025, houve 188 movimentos comunitários contra novas instalações, 66% causaram  atraso ou interrupção (Data Center Watch, 2025).

    Diante disso, o grande capital é impulsionado a buscar melhores condições de realização por meio de: 1) transferência de custos ambientais para nações periféricas com regulamentações frágeis (Mcgovern; Brandfor, 2023, 2024); 2) aproximação de mercados consumidores (menor latência, isto é, tempo de resposta); e 3) uso extensivo de hardwares de baixo desempenho energético para treinamento de IA (Liu et al., 2025). Isso, pois, a demanda computacional tem gerado aguerridas disputas, sendo o fator central para a atual expansão global dessas infraestruturas (Mytton; Ashtine, 2021; Synergy Research Group, 2025).

      Governos regionais priorizam o capital privado em contratos governamentais de serviços (Silva et al., 2025) e infraestrutura de nuvem (Rodrigues, 2025) ao flexibilizar normas ambientais (Brasil, 2025) e ao conceder amplos incentivos fiscais, como o REDATA (Brasil, 2025). Casos observados no México, Paraguai, Chile e Brasil revelam coordenação entre empresas transnacionais e administrações locais para acelerar instalações à revelia das necessidades da população (Idec, 2025). Aquelas utilizam-se da abertura para investimentos externos nesses países para criar alternativas para mitigação dos danos oriundos de possíveis interrupções e bloqueios às operações nos diferentes territórios (Castellanos, 2025).

     

    Os resultados apontam que, nas condições apresentadas, a atual importação de data centers funciona como vetor de integração subordinada das economias periféricas ao sistema imperialista (Marini, 2012). Isso intensifica a dominação estrangeira sobre os sistemas nacionais de comunicação e informação digitais (Marques, Oliveira, 2025) e o controle sobre os elos de maior valor agregado na cadeia produtiva. Para além dos duvidosos benefícios anunciados (ASCOM, 2026), as ações implementadas tendem a restringir a força de trabalho brasileira ao papel de mera instaladora de tecnologias estrangeiras (Clube de Engenharia do Brasil et al., 2025). Constitui-se, portanto, a tendência de intensificação da dependência tecnológica e de aprofundamento do padrão de reprodução do capital centrado nas atividades produtivas primárias, que compõem a indústria extrativista (Osorio, 2012; Petras, 2013). Nessa forma, a entrada de tecnologia não desenvolverá a capacidade produtiva brasileira, apenas reafirma o país como fonte de matéria-prima.

  • Palavras-chave
  • data centers, impactos socioambientais, dependência
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
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